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Quarta-Feira, 22 de Março de 2006

Desconfie sempre!
Marina Franceschini / Salvatore Casella / Rogério Alves

Por trás da oferta de trabalho, uma exigência suspeita. O candidato tem que pagar R$ 50 antes de participar da seleção, só para cadastrar o currículo. No anúncio publicado no jornal, a promessa de cem vagas para vendedor. No site indicado, apenas duas. E o pior: o endereço eletrônico e o e-mail para contato são quase iguais aos de outra empresa de Recursos Humanos.

A empresária Marillac de Castro acha que é um caso de plágio e registrou ocorrência na polícia. O delegado de plantão me pediu que aguardasse a investigação policial. Até para entrar com o processo pelo uso da marca eu preciso identificar o responsável. A página continua no ar, ele continua respondendo e-mails, mas por telefone não faz contato com ninguém.

Desconfie da internet. Ainda mais se a empresa ou o responsável não tiver telefone fixo nem endereço e pedir depósitos em contas de pessoas físicas. Quanto mais tentadora a oferta, maior o risco de golpe. Eduardo se cadastrou em sites de emprego. Recebeu a notícia que teria benefícios e salário alto, mas que só seria contratado se pagasse por um teste psicológico de mais de mil reais.

?Busquei pessoas que eu conheço, do ramo de recolocação, e pesquisei na internet, num site de busca. Ao colocar o nome da empresa tive uma surpresa: cerca de mil pessoas já tinham publicado depoimentos, contando do que se tratava realmente?, lembra o gerente de empresa Eduardo de Paula.

Checar referências é o primeiro passo. Pergunte ao dono ou ao gerente há quanto tempo a firma está no mercado. Procure conversar com outras pessoas que foram recrutadas. Não pague nada com antecedência, nem envie cópias de documentos e comprovantes de residência para empresas desconhecidas. Estelionatários podem usar seus dados, por exemplo, para fazer compras.

Em alguns casos, basta começar a trabalhar para ficar endividado. Por telefone, o responsável por uma empresa de recrutamento fala sobre a venda de produtos fitoterápicos de porta em porta. Diz que para ser bem sucedido, é preciso convidar o maior número possível de pessoas para fazer parte da empresa. Cada um que entra tem que pagar uma taxa: ?Eu não vou colocar como se fosse uma pirâmide porque é proibido. É uma rede. Chega um ponto que você ganha um salário fixo por mês?, explica.

?A pirâmide é uma ciranda financeira. Para entrar numa determinada empresa você tem que pagar um valor muito alto, desproporcional para o que está sendo oferecido. Desconfie quando uma empresa exige pagamento para que você entre no quadro de funcionários!?, alerta o delegado Luís Henrique Sampaio.


Saiba mais...
Para mostrar como escapar desse tipo de golpe o Bom Dia DF convidou a especialista em Recursos Humanos, Eudete Pereira. A entrevista completa você confere assistindo ao vídeo.